Enquanto o Ibovespa concentra atenção nas blue chips, um grupo de empresas menores acumula fundamentos sólidos e valuation atrativo.
Enquanto o Ibovespa avançou 18% no primeiro semestre de 2025, puxado principalmente por Petrobras, Vale e os grandes bancos, um segmento específico ficou para trás: as small caps. O índice SMLL, que reúne empresas de menor capitalização, subiu apenas 7% no mesmo período.
Para alguns gestores, essa divergência é uma oportunidade. Para outros, é um sinal de que o mercado está certo em ser seletivo.
O argumento dos otimistas é simples: várias empresas do SMLL estão sendo negociadas a múltiplos historicamente baixos, com P/L abaixo de 10 e dividend yield acima de 6%. Empresas com operações sólidas, dívida controlada e crescimento de receita consistente.
O problema é que "barato" não é sinônimo de "bom investimento". Small caps têm liquidez menor, são mais sensíveis ao ciclo de crédito doméstico e sofrem mais quando os juros estão altos — o que ainda é o caso.
A tese das small caps depende de dois gatilhos: queda dos juros e melhora do crédito para empresas menores. Se o Copom começar a cortar a Selic no primeiro trimestre de 2026, como parte do mercado projeta, o SMLL pode ter um ano muito melhor do que 2025.
Mas apostar nisso exige tolerância a volatilidade e horizonte de pelo menos 18 meses. Não é para todos os perfis.
Gestora certificada pela CFA Institute. Cobre renda variável com foco em análise fundamentalista de empresas de médio e pequeno porte.